Alfa Romeo Alfetta 158: A máquina dos três F

Não, não se trata aqui de propaganda política, mas sim de uma equipa de três pilotos de excepção (Farina, Fangio e Fagioli) que dominou literalmente o início da Fórmula 1, ao volante de uma máquina concebida ainda antes da Segunda Guerra Mundial.

Nos anos 30 a Auto-Union e a Mercedes-Benz, generosamente financiadas pelo regime nazi, dominam os Grandes Prémios com motores de 3L com compressor ou 4,5L atmosférico. Para os restantes fabricantes que não podiam sequer pretender rivalizar com estes monstros de velocidade, é então criada a categoria 1,5L, para carros ditos mais pequenos ou “voiturettes”.

Assim, aos já existentes Maseratis 6 CM e ERAs, junta-se em 1938 um pequeno Alfa Romeo com um motor 1,5L de 8 cilindros (daí o nome Alfetta 158), uma solução apadrinhada aliás por um tal Enzo Ferrari, na altura director desportivo da Alfa Corse, opondo-se ao então engenheiro espanhol Wilfredo Ricart, apologista ele do 12 cilindros boxer para a mesma cilindrada. O motor de 1479 cm3 em alumínio, sobrealimentado por um compressor Roots e concebido pelo engenheiro Gioacchino Colombo (que teve por mestre o grande Vittorio Jano) desenvolvia a potência de 195 cavalos às 7500 rotações, um valor notável para a época.

Os sucessos desportivos do Alfetta são imediatos, com uma dobradinha Villoresi/Biondetti na Coppa Ciano logo em Julho de 1938 à qual se segue uma vitória em casa no Grande Prémio de Milão. O domínio do Alfetta 158, ameaçado ainda assim pelo efémero Mercedes W165, só é interrompido pelo conflito mundial, após o Grande Prémio de Tripoli em Dezembro de 1940, cujo vencedor é Giuseppe Farina.

Com o regresso da paz, regressa igulamente o domínio do Alfetta em vários palcos europeus com pilotos tais como Giuseppe Farina, Achille Varzi ou ainda Jean-Pierre Wimille até 1948. Infelizmente, a morte destes últimos dois pilotos, entre outros (Trossi, Villoresi, Marinoni) afasta a Alfa Romeo das pistas para a época de 1949.

Após um ano sabático, a Alfa Romeo regressa novamente às corridas no ano seguinte com uma nova equipa de pilotos constituída por Giuseppe Farina, Juan Manuel Fangio e o veterano italiano (54 anos) Luigi Fagioli, os famosos 3F’s, pronta para disputar o primeiro grande prémio de Fórmula 1 em Silverstone no dia 13 de Maio.

Nesse dia, o Alfetta 158, cuja potência subira entretanto para os 350 cavalos, monopoliza o pódio dando assim uma ideia do que será o resto da época: um domínio absoluto com seis vitórias em seis possíveis, deixando para a concorrência as corridas não contabilizadas para o campeonato ou que não mereceram a participação das equipas europeias, como foi o caso de Indianapolis. Assim, além do Grande Prémio da Grã-Bretanha Farina ganha na Suíça e em Monza, última prova do campeonato, enquanto Fangio ganha no Mónaco, em França e na Bélgica. Com 30 pontos (27 para Fangio), Farina entra para a história da Fórmula 1, tornando-se o primeiro campeão do mundo da modalidade.

Para a época seguinte, o Alfetta aparece com algumas evoluções: chassis reforçado, suspensões independentes substituídas por um eixo De Dion, um compressor novo e um depósito maior para alimentar o motor cuja potência sobe para os 425 cavalos. O Alfetta 158 torna-se assim 159 e, embora tenha desta vez sentido a ameaça Ferrari de perto, voltou a ser a referência, muito graças a Fangio vencedor de 3 Grandes Prémios (Suíça, França e Espanha) ganhando assim o primeiro dos seus 5 títulos mundiais. Foi também o último ano do Alfetta na Fórmula 1.

Nessa época de 1951, os Alfettas 158/159 foram finalmente vencidos pela concorrência, nomeadamente graças a Froilan Gonzales em Silverstone, o que marcou igualmente a primeira vitória de um Ferrari na Fórmula 1. Nas suas memórias, Enzo Ferrari que participara na concepção do Alfetta nos anos 30, recordaria essa vitória da seguinte maneira: “Nesse dia chorei lágrimas de alegria misturada com lágrimas de tristeza, pois tinha a sensação de ter matado a minha mãe”.

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Fonte: Jornal Dos Classicos

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